HISTÓRIA LONGA E INTERMINÁVEL
LIVRO VI – O rio suspenso no ar
Trouxeram a notícia do morte
Do homem que morria nos versos
Contaram sua história aos netos,
bisnetos e tataranetos
de quem cosia esta memória.
Isaura envelheceu,
sempre fora a mulher mais bela,
Não se contentou com o que perdeu,
Recolheu toda a sabedoria
toda a humanidade que passou por ela
Enquanto viveu.
Relembrava o passado, tentando resgatar algo
que porventura lhe tenha escapado naquela recolha.
Lamentava que envelhecer, sobretudo,
era deixar de ter quem lhe desse respostas
Quem pudesse contar os retalhos
Para coser em sua história.
Ninguém mais se lembrava do dia
em que o rio se levantou do seu leito,
as margens ficaram vazias,
o fundo se via todo, sem a refração e os resíduos
da água que ali corria.
Estranhavam aquele feito,
não houve seca, nem míngua,
onde estavam as águas do rio?
Pois ele seguia correndo,
no ar, seis metros acima do chão.
Desviando-se de ventos e copas de árvores
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