terça-feira, 25 de janeiro de 2022

  HISTÓRIA LONGA E INTERMINÁVEL


LIVRO VI – O rio suspenso no ar

Trouxeram a notícia do morte

Do homem que morria nos versos

Contaram sua história aos netos, 

bisnetos e tataranetos

de quem cosia esta memória.


Isaura envelheceu,

sempre fora a mulher mais bela,

Não se contentou com o que perdeu,

Recolheu toda a sabedoria 

toda a humanidade que passou por ela

Enquanto viveu. 

Relembrava o passado, tentando resgatar algo 

que porventura lhe tenha escapado naquela recolha.

Lamentava que envelhecer, sobretudo, 

era deixar de ter quem lhe desse respostas

Quem pudesse contar os retalhos

Para coser em sua história.


Ninguém mais se lembrava do dia 

em que o rio se levantou do seu leito, 

as margens ficaram vazias,

o fundo se via todo, sem a refração e os resíduos 

da água que ali corria. 

Estranhavam aquele feito, 

não houve seca, nem míngua,

onde estavam as águas do rio?


Pois ele seguia correndo, 

no ar, seis metros acima do chão.

Desviando-se de ventos e copas de árvores



 

 

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