domingo, 22 de junho de 2025

 Eu achava que sempre teria a chance de retornar.

Não havia nada que eu devesse saber por inteiro, porque haveria outra chance.

Achava que algum dia fatalmente ia adquirir os conhecimentos que eu não tinha, como saber os nomes dos pássaros. Chegaria um dia em que fatalmente eu atingiria esse conhecimento.

terça-feira, 17 de junho de 2025

Supostamente o céu que hoje vejo à noite é o mesmo que viu o primeiro homem. As mesmas constelações e estrelas, em seu deslocamento constante, identificadas e nomeadas em suas relações com as outras.

Quisera como os antigos poder admirar o céu limpo por horas a fio, maravilhado e aturdido. Reconhecer cada astro pelo seu próprio e único brilho e dar-lhes que fosse só meu um nome ou um apelido. Ser o homem que viveu antes que descobrissem seu movimento previsível.
Como as estrelas, queria que cada palavra tivesse a sua resplandescência reconhecida por ser única e exclusiva. Antes que se soubesse da sua explosão expansiva e suicida, escolheria um céu cheio delas para ordená-las num jogo novo de arranjos. Encontraria a composição mais bela ou a sua disposição mudaria segundo as linhas da minha vertigem.
Quisera voltar ao tempo em que era possível a esperança de noites felizes.

17 de junho de 2020

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Pedem-me poesia

E tudo o que tenho são imagens

E a verdade, se bem a disser

Faz acabar a ilusão no mundo

E com ele encerram-se todos os projetos

todos os assuntos

As flores são belas sem qualquer compromisso 


ENCICLOPÉDIA Na sala, a estante era o item mais espaçoso, a madeira escura, quase negra, ocupando toda a parede. Aquela peça do mobiliário f...