Supostamente o céu que hoje vejo à noite é o mesmo que viu o primeiro homem. As mesmas constelações e estrelas, em seu deslocamento constante, identificadas e nomeadas em suas relações com as outras.
Quisera como os antigos poder admirar o céu limpo por horas a fio, maravilhado e aturdido. Reconhecer cada astro pelo seu próprio e único brilho e dar-lhes que fosse só meu um nome ou um apelido. Ser o homem que viveu antes que descobrissem seu movimento previsível.
Como as estrelas, queria que cada palavra tivesse a sua resplandescência reconhecida por ser única e exclusiva. Antes que se soubesse da sua explosão expansiva e suicida, escolheria um céu cheio delas para ordená-las num jogo novo de arranjos. Encontraria a composição mais bela ou a sua disposição mudaria segundo as linhas da minha vertigem.
Quisera voltar ao tempo em que era possível a esperança de noites felizes.
17 de junho de 2020
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